Os olhos já podem e devem ver!

Olá gente, tudo bem? Nesse mês de março comemoramos o Dia Internacional da Mulher, data histórica para todas nós e que reflete atualmente na posição que a mulher ocupa no mercado de trabalho e na própria vida, meus parabéns a todas! Pensando nisso, o texto deste mês abordará a imagem da mulher brasileira no exterior, mas infelizmente não da maneira que gostaria que repercutisse, mas sim exibindo as lacunas do processo de gestão de imagem feminino brasileiro, bem como de nosso país. Espero que gostem.

O Brasil vivenciou na última semana de fevereiro, mais um episódio lamentável proveniente da construção distorcida de sua imagem lá no estrangeiro. Como todos vocês devem saber, a Adidas lançou duas camisetas com venda apenas na store norte-americana para o Mundial de Futebol, carregadas de conotação sexual – uma por seu desenho e a outra pela tradução literal da expressão em inglês – gerando polêmica e rendendo muitos comentários e olhos negros por parte do Governo Brasileiro.

Tanto que após a exibição e o assunto ter virado Trend Topics no Twitter, a Embratur e a presidente Dilma Rousseff se pronunciaram nas mídias, inclusive no microblog, repudiando a ação da marca, pedindo a paralização imediata da comercialização das camisetas e ainda, fazendo um discurso contra o turismo sexual. A marca alemã, que é patrocinadora oficial FIFA da Copa do Mundo, prontamente atendeu os apelos governamentais brasileiros e suspendeu a venda, reiterando o compromisso da Adidas com a imagem do Brasil.

Após a veiculação da notícia, me peguei pensando na seguinte questão: por que os estrangeiros conseguem veicular para o Brasil a imagem do carnaval o ano todo e mulheres, com o perdão da expressão, gostosas?! E mais, por que associam o brasileiro ao famoso jeitinho para solucionar tudo?!

Fazendo uma pesquisa – que nem precisou ser tão profunda – descobri que o quanto as marcas vendem o Brasil desta forma, um tanto quanto vulgarizada. Não preciso citá-las aqui, mas um exemplo bem básico são os comerciais de cervejas, que até hoje, utilizam do corpo da mulher brasileira para promover seu produto. Ou mesmo um comercial de banco, que enfatiza o jeitinho brasileiro para fazer acontecer e esperar o Mundial FIFA.

O próprio Governo, caros leitores, que “super” destacam o turismo veiculado ao carnaval, que só enfatizam as campanhas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis, de abuso de menores na época da folia, contribui para que a imagem da Brasileira e do Brasil ganham linhas tão pequenas e tão desnecessárias, a meu ver.

Com o avanço da internet, a difusão de peças publicitárias privadas ou públicas, toma proporções antes não imagináveis e como questão cultural, fica muito difícil ao estrangeiro ter compreensão necessária para entender a valorização apenas “destes atributos” e não de coisas que realmente façam o Brasil “valer a pena” nos olhos do exterior.

Ficam meus questionamentos de porque não valorizar o samba – não só em época de carnaval; valorizar a Mata Atlântica, sua fauna e flora quase extinta para campanhas de prevenção; o Pantanal, a Amazônia; as mulheres que se destacam no Brasil, por sua capacidade de transformação; valorizar a própria cultura estrangeira no sul do país. Há tanta coisa que o estrangeiro conhece só de nome e por falta de incentivo, não conhece e por consequência, não fala bem!

Por conta disso, somos “obrigados” a ver cenas, como o episódio triste da declaração do treinador Inglês, Hoy Hogdon, que afirmou não querer jogar na selva – com medo que seu país fosse sorteado para jogar na Arena Amazônia – o que acabou acontecendo com o sorteio de grupos para a Copa.

A discussão é extensa e bem densa, para ser contemplada toda em apenas um artigo. Cabe ao final deste texto, a reflexão para você dono de alguma marca ou o próprio Governo, rever seu posicionamento. Vamos explorar o que é bacana no país e na mulher brasileira, tirando dos olhos já marcados do estrangeiros a visão distorcida e evitando acontecimentos tão deploráveis, feito este dos últimos dias!

Para quem quiser ler mais sobre o assunto, segue dois artigos:

http://www.portcom.intercom.org.br/pdfs/165377778968172229752717149601241297537.pdf

http://www.academia.edu/2763240/O_Brasil_na_publicidade_das_Havaianas